6 de setembro de 2017 - No Comments!

Farofa Cultural Gourmet – Celso Borges

A segunda edição da Farofa Cultural Gourmet, que marca as comemorações de 25 anos da Quadrante, teve a presença poética de Celso Borges, um ludovicense, que ama a cidade onde nasceu e vive e extravasa essa paixão em suas obras.

Às vésperas de completar 405 anos, São Luís foi pauta do papo de Celso com a equipe: as memórias afetivas do Centro, a vida distante da cidade, o reencontro, as novas significações e como tudo isso faz parte dos versos de Celso.

Confere aí o bate-pronto que fizemos com o Celso, que resume o que rolou nessa conversa.

Quadrante: O que é ser poeta em uma terra com tantos nomes da literatura?

Celso Borges: Eu faço o exercício de poesia há 40 anos, desde os 17 anos que eu escrevo. A importância que eu dou a isso é para a minha vida. Poder testemunhar algumas coisas que estão acontecendo na cidade, testemunhar o diálogo que eu tenho com algumas pessoas e poder testemunhar, sobretudo, o mundo contemporâneo, o mundo que eu vivo. Eu quero que a minha poesia seja o retrato desse mundo contemporâneo, tentando fazer com que ele seja sempre um mundo melhor, um mundo mais verdadeiro.

Quadrante: Como você vê São Luís dentro da tua obra?

Celso Borges: O que é uma cidade? O que é a cidade onde você nasce? É o seu útero, é o seu ventre, é o seu berço. Eu nasci aqui, me criei aqui, as minhas relações todas se deram aqui, com as pessoas daqui, com os lugares, os espaços físicos daqui, então você se envolve emocionalmente com isso. É uma relação que eu não consigo me separar. A cidade é como se fosse meu corpo. Por isso eu gosto dela, eu cuido dela.

Quadrante: Apesar do seu amor por São Luís, vemos muita crítica em suas obras. Por quê?

Celso Borges: Na verdade, eu não gosto é dos homens públicos, que tomam conta da cidade. Eu nasci aqui, vivo aqui e venho vivenciando isso. Eles cuidam mal da cidade. A minha briga, esse desamor, se dá mais contra os homens públicos. Mas essa também é uma cobrança às pessoas que vivem em São Luís. Como falei na conversa, a gente não pode cobrar somente dos homens públicos, nós também temos que cuidar da cidade. Nosso exercício de cidadania tem que ser cada vez melhor. Então, nesse sentido, a gente quer sempre uma cidade melhor e a gente se posiciona contra quem atrapalha isso, não ajuda.

 

Quadrante: Você trabalha com as palavras em “n” formas. Nós, ludovicenses, temos uma maneira de falar muito peculiar. Isso está explícito na tua obra?

Celso Borges: Eu tento colocar um pouco da coloquialidade, algumas gírias. Mas varia muito. Em uma letra de música, por exemplo, isso, talvez, seja mais fácil de se explorar. Mas eu adoro essas palavras que só a gente tem: “Sudengue”, “bogue”, “éguas”. Eu adoro trabalhar com isso. Não é que sempre eu coloco em meus poemas, mas, eventualmente, aparece eu dando um bogue na cara de um otário. (risos)

Quadrante: Como você vê o cenário da poesia atual?

Celso Borges: Ao contrário do que muita gente diz, aquela velha história do passado, temos vozes muito boas na poesia contemporânea. Posso citar várias como Josualdo Lima Rego, Reubem da Rocha, Fernando Abreu, Luís Inácio, Diego Dourado. Todos são excelentes poetas, que estão em atividade. Então, não vejo com saudosismo e descarto essa história de “os poetas já não são os mesmos”. Os poetas estão vivos e com boa poesia.

Published by: Ingrid Trindade in Blog

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