25 de abril de 2017 - No Comments!

Farofa Cultural Gourmet – Luiz Phelipe Andrès

Na última quinta-feira (20), tivemos a honra de receber o Luiz Phelipe Andrès para a nossa Farofa. Além de ser um apaixonado por São Luís, um grande conhecedor do Centro Histórico e um entusiasta da construção naval artesanal, o Phelipe fez parte do início da história da Quadrante, que esse ano completa 25 anos.

A chegada no Maranhão, o encanto com as embarcações no Portinho, a revitalização do Centro Histórico, as histórias da pesquisa Embarcações do Maranhão e o Estaleiro Escola, de onde o Phelipe é o criador, estiveram na pauta desse encontro.

Fizemos um bate-pronto com o Phelipe, que resume o que rolou nessa conversa.

Quadrante: O trabalho do Estaleiro Escola é passar para os mais novos a arte e a técnica da construção artesanal das embarcações. Como atrair esses jovens?

Luiz Phelipe Andrès: Essa é uma das nossas maiores dificuldades. Porque os jovens não querem abraçar uma profissão difícil, dura, em que ele vê o mestre, expoente máximo da profissão, passar a vida sem reconhecimento. Por outro lado, essa profissão é importantíssima, pois é a base de economias regionais, que são capazes de gerar milhares de empregos. Então, criamos estratégias para valorizar a profissão, como o incremento do curso de construção naval, com disciplinas de desenho e computação, investimos em uma escola que seja agradável para os jovens, publicações de livro, galeria de homenagens aos mestres. Nosso desafio é mostrar que a profissão é importante.

Quadrante: Para além da construção naval, como o Estaleiro Escola atua na comunidade do Itaqui-Bacanga?

Luiz Phelipe Andrès: Escolhemos a instalação do Estaleiro naquela área pela importância histórica e até tecnológica, já que ali funcionava uma indústria de beneficiamento de arroz para exportação movida pela força das marés. Como a área é bem grande, pudemos ampliar a oferta de cursos para atender uma demanda enorme de jovens e crianças que vivem no entorno da escola. Então, oferecemos curso de educação ambiental, cerâmica, bio-jóias, modelismo naval, entre outros. O objetivo é sempre ensinar um ofício aos jovens para que possam gerar renda para suas famílias.

Quadrante: Você é mineiro e tem uma relação bem forte com o nosso Centro Histórico. Qual a sua relação com o patrimônio histórico de Minas Gerais?

Luiz Phelipe Andrès: (risos) Olha, eu conto uma história que eu sou mineiro maranhense. Eu estou há mais tempo aqui que em qualquer outro lugar que eu já estive. Eu já me considero 'maranhensizado'. Quando eu saí de Minas e fui morar no Rio de Janeiro, eu tinha 17 anos. E eu tinha uma relação muito prazerosa com Ouro Preto, por causa das igrejas e gostava de desenhá-las. Mas quando eu mudei pra cá, eu mergulhei muito na realidade, na história maranhense, que é riquíssima. Fui muito bem recebido aqui, carinhosamente pelo povo maranhense. Então, a distância foi me afastando aos poucos, embora eu tenha família lá.

Quadrante: O início da Quadrante está intimamente ligado à pesquisa Embarcações do Maranhão, que é de sua autoria. Como você se sente em relação a isso?

Luiz Phelipe Andrès: Eu me sinto emocionado. Porque a Quadrante é um empreendimento sério, vitorioso e genuinamente maranhense, que mostra que o Maranhão é capaz de conquistar mercados além das nossas fronteiras. É bonito saber que a gente contribuiu, que há esse reconhecimento. Porque na correria do dia a dia a gente não se dá conta, então, a gente fica emocionado. Eu me acostumei a ver só notícia bonita da Quadrante e eu não me dava conta de que havia essa gratidão. É muito bonito isso.

Sobre o Luiz Phelipe Andrès

Nascido em Juiz de Fora, Minas Gerais, ele é graduado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco.

No final dos anos 70, escolheu o Maranhão como lar e tem se dedicado a atividades no setor cultural. Foi um dos fundadores do Programa de Preservação e Revitalização do Centro Histórico de São Luís, autor de pesquisas sobre as Embarcações do Maranhão e criador do Estaleiro Escola do Sítio Tamancão.

Foi Coordenador Geral do Programa de Preservação do Centro Histórico de São Luís, Membro do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão e Coordenador Geral do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão.

Além disso, foi Coordenador Geral do Projeto São Luís – Patrimônio Mundial para preparação e apresentação do Dossiê à UNESCO com propósito de obtenção do título. Desde 2012 é membro da Academia Maranhense de Letras, ocupando a cadeira de número 23.

Published by: Quadrante in Blog

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